Lição 1
Crédito é alavanca
Crédito é dinheiro emprestado, que volta ao banco com juros. Usado no lugar certo, ele funciona como uma alavanca: permite fazer hoje o que a propriedade só conseguiria fazer daqui a anos, e o resultado paga a conta. Usado no lugar errado, a alavanca vira contra quem a segura.
Toque nas opções para ver os dois lados da alavanca.
A regra de ouro: antes de perguntar quanto o banco empresta, pergunte quanto aquilo vai render. Os módulos 4 e 5 dão as ferramentas para responder.
Lição 2
Os tipos de crédito rural
O crédito rural tem regras próprias, definidas pelo governo federal e pelo Banco Central, e juros geralmente menores que os do crédito comum. Ele é dividido conforme a finalidade:
Custeio
Paga as despesas de uma safra ou de um ciclo de produção: sementes, adubo, defensivos, ração, mão de obra.
curto prazo · paga na colheita ou na vendaInvestimento
Financia bens que duram vários anos: máquinas, construções, correção de solo, irrigação, animais de reprodução, pomares.
longo prazo · parcelas anuais, às vezes com carênciaComercialização
Permite guardar a produção e vender depois, quando o preço estiver melhor, sem precisar vender na colheita para pagar as contas.
curto prazo · paga com a vendaIndustrialização
Financia o beneficiamento ou a transformação da produção na própria propriedade ou na cooperativa: agroindústria, queijaria, embalagem.
prazo conforme o projetoUsar a linha certa importa. Pagar uma máquina com dinheiro do custeio, por exemplo, obriga a devolver em poucos meses um bem que vai render durante dez anos.
Lição 3
PRONAF, PRONAMP e as demais linhas
Todo ano, o governo federal anuncia o Plano Safra, que vale de julho a junho e define quanto dinheiro haverá para o crédito rural, os juros e os limites de cada programa. Os principais para pequenos e médios produtores:
- PRONAF: o programa da agricultura familiar, com os juros mais baixos do crédito rural. Exige o CAF, o cadastro da agricultura familiar. Tem linhas de custeio e de investimento e linhas específicas, por exemplo para mulheres, jovens e agroecologia.
- PRONAMP: o programa do médio produtor, para quem tem renda acima do limite do PRONAF e abaixo de um teto definido no Plano Safra.
- Demais linhas: crédito rural com juros controlados para os demais produtores, e programas de investimento com finalidades específicas, como armazenagem, irrigação e recuperação de solos.
Quer ver quanto crédito rural chega ao seu município, e em quais atividades? O site da disciplina tem um painel de crédito rural do RS, com dados do Banco Central.
Lição 4
O custo de verdade
A taxa de juros anunciada é só uma parte do custo. Antes de assinar, some tudo:
- Juros: confira se a taxa é ao ano ou ao mês, e se é fixa.
- Seguro e PROAGRO: em muitas operações de custeio, a adesão ao PROAGRO ou a um seguro é exigida, e tem custo.
- Projeto e assistência técnica: o projeto exigido pelo banco pode ter custo.
- Tarifas e cotas: abertura de cadastro, tarifas da conta e, nas cooperativas de crédito, a integralização de cotas.
- Produtos empurrados: título de capitalização, seguro de vida, consórcio. A lei proíbe condicionar o crédito à compra de outro produto. Você pode recusar.
Pergunte sempre: quanto vou pagar no total, somando tudo, até a última parcela?
Compare essa resposta entre bancos e cooperativas. Pequenas diferenças na taxa, num financiamento de dez anos, viram muito dinheiro.
Lição 5
A parcela cabe na sobra?
O banco olha a capacidade de pagamento antes de aprovar. Mas quem precisa olhar com mais cuidado é o produtor. A pergunta é: em um ano normal, a sobra da propriedade paga a maior parcela e ainda deixa folga?
- Qual sobra: a sobra depois de pagar o que sai do bolso e a retirada da família. Ou seja, o dinheiro que sobra de verdade no ano, como no módulo 1.
- Qual parcela: a maior. Em muitos financiamentos rurais de investimento, a amortização é constante e os juros diminuem com o tempo: a primeira parcela depois da carência é a mais pesada.
- Qual folga: os anos ruins existem. Se a parcela consome toda a sobra de um ano normal, um ano ruim vira atraso.
E não esqueça as parcelas que já existem. A capacidade de pagamento é uma só, para todas as dívidas juntas.
Na sua propriedade
Simule um financiamento de investimento
Parcelas anuais com amortização constante, um formato comum nos financiamentos rurais de investimento. Confira no contrato qual é o seu. Use a taxa que o banco ou a cooperativa informou para a linha que você pretende usar.
Para quem vai começar, use como sobra a estimativa de um ano normal, depois que a atividade estiver em produção. E lembre que, nos primeiros anos, ela costuma ser menor.
Ver todas as parcelas
Para lembrar
O essencial do módulo
- 1Crédito é alavanca: só vale quando o que ele gera é maior do que a parcela.
- 2Custeio paga a safra, investimento paga bens duráveis. Use a linha certa para cada finalidade.
- 3PRONAF exige o CAF. Juros e limites mudam a cada Plano Safra: confira sempre.
- 4Compare o custo total, não só a taxa. E confira se a maior parcela cabe na sobra de um ano normal, com folga.
Teste rápido
Três perguntas
Toque na resposta que achar certa.
Pergunta 1Para comprar um trator que vai trabalhar dez anos, a linha mais adequada é:
Bens que duram vários anos devem ser pagos ao longo de vários anos, com o que eles ajudam a produzir.
Pergunta 2O gerente condiciona a liberação do custeio à compra de um título de capitalização. O que fazer?
Essa prática é chamada de venda casada e é proibida. Se persistir, procure a ouvidoria do banco ou o Banco Central.
Pergunta 3Num ano normal, sobram R$ 40 mil na propriedade. A maior parcela do financiamento seria de R$ 38 mil. A decisão mais prudente é:
Cabe só em ano normal e sem folga. Um ano ruim vira atraso. Vale financiar menos ou alongar o prazo.
Riscos e venda