Lição 1
O que entra
A receita de uma atividade é a produção vezes o preço. Parece óbvio, mas três coisas costumam ficar de fora da conta:
- O autoconsumo: o leite, a carne e o milho que ficam na propriedade têm valor, como visto no módulo 1.
- Os subprodutos: no leite, a venda de terneiros e de vacas de descarte. Na lavoura, a palha vendida ou usada para o gado.
- O que ficou no estoque: a soja guardada no silo também é produção do ano, mesmo que ainda não tenha sido vendida. Conte pelo preço de hoje.
E uma coisa que não deve entrar: dinheiro que não veio da atividade, como aposentadoria, empréstimo ou venda de uma máquina velha. Isso é aporte, crédito ou venda de patrimônio, não receita.
Lição 2
Três sobras
Cada degrau do custo do módulo 4 gera uma sobra diferente quando é descontado da receita. Cada uma responde a uma pergunta, num prazo diferente.
Receita menos COE
Sobra depois de pagar o que saiu do bolso. Se for negativa, a atividade não paga nem as contas do ano: cada unidade produzida aumenta o prejuízo.
Receita menos COT
Sobra depois de repor os bens e pagar a família. Se for negativa, a atividade se mantém por um tempo, mas vai envelhecendo as máquinas ou apertando a família.
Receita menos CT: o lucro
Sobra depois de pagar também a terra e o dinheiro empatados. Se for positiva, produzir rende mais do que arrendar a terra e aplicar o dinheiro.
Repare na régua do lucro: basta ele ser maior que zero. O custo total já inclui o que a terra e o dinheiro renderiam em outro uso. Lucro de R$ 1 já significa que a atividade ganhou dessas alternativas.
Lição 3
Quantas sacas pagam a conta
Um jeito muito visual de enxergar o resultado é pensar em sacas, e não em reais. Divida cada degrau do custo pelo preço da saca: o resultado é quantas sacas são necessárias para pagar aquele degrau. Esse número se chama ponto de equilíbrio.
O exemplo da soja do módulo 4, com a saca a R$ 120: das 3.000 sacas colhidas, cada desenho representa 1% da produção.
No exemplo, das 3.000 sacas, 1.567 pagam o que saiu do bolso, outras 467 pagam o desgaste e a família, 783 pagam a terra e o capital. Sobram 183 sacas de lucro, cerca de 6% da colheita.
Visto assim, fica claro por que pequenas variações importam tanto. Uma quebra de 10% na produção leva embora 300 sacas: mais do que todo o lucro.
Lição 4
Produtividade mínima e preço mínimo
O ponto de equilíbrio pode ser lido de dois jeitos, e os dois ajudam a decidir antes de plantar.
- Produtividade mínima: com o preço esperado, quantas sacas por hectare (ou litros por vaca) são necessárias para pagar cada degrau do custo. Se a média dos últimos anos fica abaixo disso, a atividade está apertada.
- Preço mínimo: com a produção esperada, qual o menor preço que paga cada degrau. É exatamente o custo por unidade do módulo 4. Serve de referência para vender: abaixo do COE por saca, cada venda é prejuízo.
Exemplo
No exemplo da soja, 50 hectares e custo total de R$ 338.000. Com a saca a R$ 120, são necessárias 2.817 sacas, ou 56,3 sacas por hectare, para pagar o custo total. Se a produtividade média da propriedade é 60 sacas por hectare, a folga é pequena: qualquer estiagem coloca a conta no vermelho.
Lição 5
Quando o resultado é negativo
Resultado negativo num ano ruim não é motivo para abandonar a atividade. O que importa é qual sobra ficou negativa, e por quanto tempo.
- Só o lucro negativo: a atividade paga as contas e a família, mas rende menos que as alternativas. Vale procurar onde melhorar, e pensar se outra atividade usaria melhor a terra.
- A sobra sobre o COT negativa: as máquinas não estão sendo repostas ou a família está ganhando pouco. Se durar vários anos, a propriedade vai se descapitalizando.
- A sobra sobre o COE negativa: sinal de alerta. A atividade está consumindo dinheiro. Se não for um ano atípico, é preciso mudar algo já.
Onde mexer? Há três alavancas, e o módulo 2 já mostrou que o preço é a mais difícil: produzir mais com o mesmo custo, gastar menos para produzir o mesmo, e vender melhor. Muitas vezes o ganho está em detalhes: um insumo comprado na hora certa, uma perda na colheita, um lote de animais com baixo desempenho.
Na sua propriedade
Quantas unidades pagam a sua conta?
Use os custos que você calculou no módulo 4 e o preço médio que recebeu, ou o esperado para esta safra.
Use os custos planejados do módulo 4 e um preço conservador: a média dos últimos anos, não o melhor preço que você viu.
Para lembrar
O essencial do módulo
- 1A receita inclui autoconsumo, subprodutos e estoque. Aposentadoria, empréstimo e venda de bens não são receita.
- 2Três sobras, três prazos: sobre o COE, sobre o COT e o lucro, sobre o CT.
- 3Lucro acima de zero já significa ganhar das alternativas, porque o CT inclui arrendar a terra e aplicar o dinheiro.
- 4O ponto de equilíbrio mostra quantas unidades pagam cada degrau do custo. Dele saem a produtividade mínima e o preço mínimo.
Teste rápido
Três perguntas
Toque na resposta que achar certa.
Pergunta 1O custo operacional efetivo (COE) da lavoura foi de R$ 150.000 e a saca vale R$ 100. Quantas sacas pagam o que saiu do bolso?
R$ 150.000 divididos por R$ 100 a saca dá 1.500 sacas.
Pergunta 2A receita paga o COE e o COT, mas não o CT. O que isso significa?
A atividade paga as contas, o desgaste e a família. Falta pagar o custo de oportunidade da terra e do capital.
Pergunta 3No ano, o produtor vendeu um trator velho por R$ 40.000. Na receita da lavoura, esse valor:
Vender um bem transforma patrimônio em dinheiro, mas não é resultado da produção do ano.
O dinheiro no tempo