Gestão da Propriedade Rural módulo 4 de 12
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Medir · o custo

Quanto custa produzir

Quanto custa produzir uma saca, um litro ou um quilo na sua propriedade?

5 liçõescerca de 25 minutos
lavoura de milho em Barão do Triunfo/RS · CC BY-SA 3.0 BR, Paulo RS Menezes/Wikimedia Commons

Neste módulo

  1. As três perguntas que formam o custo.
  2. O que sai do bolso: o custo operacional efetivo.
  3. O que se gasta sem sair do bolso: desgaste e trabalho da família.
  4. O que se deixa de ganhar: terra e dinheiro empatados.
  5. Transformar tudo em custo por saca, litro ou quilo.

Lição 1

Três perguntas

Quando se pergunta a um produtor quanto custa produzir, a resposta quase sempre é a soma do que ele pagou: adubo, semente, diesel, ração. Essa conta está certa, mas está incompleta. O custo de verdade responde a três perguntas, uma em cima da outra:

COE
sai do bolso

Quanto eu paguei para produzir?

COT
+ desgaste e família

Quanto eu gastei, mesmo sem tirar do bolso?

CT
+ o que deixo de ganhar

Quanto eu ganharia se usasse a terra e o dinheiro de outro jeito?

As siglas são as mesmas usadas pela CNA, no projeto Campo Futuro, e pela CONAB nos custos de produção que publicam. Não precisa decorar: o importante é a ideia de cada degrau.

  • COE, custo operacional efetivo: o dinheiro que saiu do bolso.
  • COT, custo operacional total: o COE mais o desgaste dos bens e o trabalho da família.
  • CT, custo total: o COT mais o que a terra e o dinheiro empatados renderiam em outro uso.

Lição 2

O que sai do bolso

O primeiro degrau é o mais fácil de medir, se as anotações do módulo 3 estiverem em dia. Entra aqui tudo o que foi pago para produzir, naquela atividade, naquele ano:

  • Insumos: sementes, adubo, calcário, defensivos, ração, sal mineral, medicamentos.
  • Operações: diesel, manutenção de máquinas, serviços contratados de plantio, colheita ou transporte.
  • Mão de obra contratada: salários, diárias, encargos.
  • Outros: energia, arrendamento pago, assistência técnica, seguro, juros do custeio, impostos e taxas sobre a produção.

O COE responde a uma pergunta de curto prazo: a atividade paga as contas do ano? Se o preço não cobre nem o COE, cada saca produzida aumenta o prejuízo.

Os gastos da casa não entram aqui. Eles são pagos com a retirada da família, que aparece no próximo degrau. É a separação das duas caixas do módulo 1.

Lição 3

O que se gasta sem sair do bolso

Dois custos não aparecem no extrato do banco, mas são reais.

O desgaste dos bens

É a depreciação calculada no inventário do módulo 3. O trator, o galpão e a ordenhadeira perdem valor a cada ano. Se esse valor não for considerado, a atividade parece lucrativa até o dia em que for preciso trocar a máquina e não houver dinheiro.

O trabalho da família

Quem trabalha na propriedade e não recebe salário também tem um custo: é o que a família receberia se fizesse o mesmo trabalho para outra pessoa. Na metodologia de custos, esse valor se chama pró-labore. Uma boa referência é o salário de um empregado rural na região, para cada pessoa da família que trabalha na atividade. Como combinar o trabalho e a remuneração da família e dos funcionários é assunto do módulo 9.

Por que contar o trabalho da família

Duas propriedades de leite produzem o mesmo e têm o mesmo COE. Uma contrata um empregado, a outra usa o trabalho do casal. Sem contar o pró-labore, a segunda parece muito mais lucrativa, mas a diferença é só que o casal está trabalhando de graça. Com o pró-labore, a comparação fica justa.

Somando o COE, a depreciação e o pró-labore, chega-se ao COT. Ele responde a uma pergunta de médio prazo: a atividade se sustenta, repondo as máquinas e pagando quem trabalha?

Lição 4

O que se deixa de ganhar

O último degrau é o mais esquecido, e às vezes o mais pesado. Ele vem de uma pergunta simples: e se eu não produzisse?

  • A terra própria poderia ser arrendada. O valor do arrendamento na região é quanto ela renderia sem nenhum trabalho.
  • O dinheiro empatado em máquinas, animais e instalações poderia estar aplicado, rendendo juros.

Esses valores se chamam custo de oportunidade: o que se deixa de ganhar por escolher produzir. Somados ao COT, formam o CT, custo total, que responde à pergunta de longo prazo: produzir vale mais a pena do que arrendar a terra e aplicar o dinheiro?

Se a atividade não cobre o custo total, a família trabalha para ganhar menos do que ganharia sem trabalhar.

Isso não quer dizer que se deva vender tudo no dia seguinte. Morar no campo, manter a terra na família e gostar do que faz também têm valor. Mas é uma decisão que precisa ser tomada sabendo o tamanho da conta.

Se você vai começar

Se a terra for arrendada, o arrendamento é dinheiro que sai do bolso e entra no COE. Se for comprada, o arrendamento que ela renderia entra como custo de oportunidade no CT. Nos dois casos a terra tem custo: ela só muda de degrau.

Lição 5

Custo por saca, por litro, por quilo

O custo total de uma atividade, sozinho, diz pouco. R$ 300 mil é muito ou pouco? Depende de quanto se produziu. Por isso o passo final é dividir cada degrau pela produção: o resultado é o custo por unidade.

Exemplo: soja, 50 ha, 3.000 sacasNo anoPor saca
COE: o que saiu do bolsoR$ 188.000R$ 62,67
+ depreciação e famíliaR$ 56.000R$ 18,67
COTR$ 244.000R$ 81,33
+ terra e capitalR$ 94.000R$ 31,33
CTR$ 338.000R$ 112,67

Agora a comparação com o preço é direta. Se a saca vale R$ 120, a soja desse exemplo paga todos os degraus e ainda sobra um pouco. Se vale R$ 100, paga o bolso, o desgaste e a família, mas rende menos do que arrendar a terra e aplicar o dinheiro. O módulo 5 trabalha essa comparação.

O custo por unidade também permite comparar com outras propriedades e com as referências da CONAB e do Campo Futuro, e acompanhar a evolução de um ano para outro.

Na sua propriedade

Quanto custa a sua atividade?

Escolha uma atividade e use os valores de um ano inteiro, de preferência da última safra. Se a propriedade tem mais de uma atividade, comece pela principal.

Use os valores planejados para um ano de produção normal, depois da implantação. Fontes para estimar: custos de produção da CONAB, do Campo Futuro, da EMATER e conversas com produtores da atividade.

Sai do bolso · COE

R$
R$
R$
R$

Sem sair do bolso · COT

R$
R$

O que deixa de ganhar · CT

R$
R$

Para lembrar

O essencial do módulo

  1. 1COE é o que sai do bolso. Responde se a atividade paga as contas do ano.
  2. 2COT soma o desgaste dos bens e o trabalho da família. Responde se a atividade se sustenta.
  3. 3CT soma o que a terra e o dinheiro renderiam em outro uso. Responde se produzir vale a pena.
  4. 4Dividir pela produção dá o custo por unidade, que se compara direto com o preço.

Teste rápido

Três perguntas

Toque na resposta que achar certa.

Pergunta 1O casal trabalha na própria atividade de leite e não tira salário. Na conta do custo, esse trabalho:

O trabalho da família tem valor. Sem ele, a atividade parece mais lucrativa do que é, e não dá para comparar com quem contrata.

Pergunta 2Um produtor colheu 2.500 sacas e o custo total (CT) foi de R$ 275.000. Qual o custo total por saca?

R$ 275.000 divididos por 2.500 sacas dá R$ 110 por saca.

Pergunta 3A terra é própria e poderia ser arrendada por R$ 60 mil ao ano. Esse valor é:

Ninguém paga esse valor, mas o produtor deixa de recebê-lo ao usar a terra ele mesmo. É custo de oportunidade.

A seguir, módulo 5
Quanto sobra