Aula teórica · projeção e estudo
T5
Movimento 3 · Decidir

Margens e indicadores

Colégio Politécnico da UFSM
Prof. Róberson Macedo de OliveiraColégio Politécnico da UFSM
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Conceito · a pergunta da aula

Sobrou, mas sobrou de verdade?

"Deu lucro." Sobrou depois de pagar o quê?

Cada resposta é uma margem diferente.

Conceito · as peças da conta

Cinco siglas que já conhecemos

RBReceita bruta · produção × preço
RLReceita líquida · RB menos Funrural e despesas de venda
COECusto operacional efetivo · o que sai do bolso no ciclo
COTCusto operacional total · COE + depreciação + pró-labore
CTCusto total · COT + o que terra e capital renderiam em outra alternativa

Receitas da T2, custos da T4. Hoje elas se encontram.

Conceito · as três margens

Três margens, três perguntas

Margem bruta (MB) · a safra MB = RL − COE O ano fechou no caixa?
Margem líquida (ML) · 2 a 5 anos ML = RL − COT A propriedade se mantém de pé?
Lucro econômico (LE) · a vida do projeto LE = RL − CT Valeu a pena ter produzido?
Receita líquida (RL) COE MB COT ML CT LE Cada margem: da receita até uma camada de custo.
Conceito · margem bruta

MB: o ano fechou no caixa?

A receita cobriu os desembolsos do ciclo? Nada mais.

A armadilha É a margem que o produtor sente no bolso, e por isso a que mais engana.
Conceito · margem líquida

ML: a propriedade se mantém de pé?

Desconta também a depreciação e o pró-labore.

A descapitalização não aparece no extrato: aparece na cerca que não se refaz e na máquina que não se troca.

Conceito · lucro econômico

LE: valeu a pena ter produzido?

Desconta o que terra e capital renderiam na melhor alternativa: arrendar e aplicar.

Conceito · leitura em camadas

A primeira margem negativa decide

MBMLLEDiagnóstico
A+40+12−8Rende menos que arrendar
B−5−30−50Não paga nem o caixa
C+60+35+10Gera riqueza
D+25−6−30Consome patrimônio

R$ mil por ano. Leia cada linha da esquerda para a direita.

Conceito · de valores a índices

Lucratividade e rentabilidade

R$ 30 mil de lucro é muito ou pouco? Depende da escala.

Lucratividade · quanto do faturamento vira lucro lucro econômico ÷ receita bruta × 100 LE ÷ RB × 100
Rentabilidade · quanto rende o que se investe lucro econômico ÷ custo total × 100 LE ÷ CT × 100. O CT já inclui o que terra e capital renderiam arrendados e aplicados: acima de zero, o projeto rende mais que a alternativa.
Conceito · produção de nivelamento

Quantas sacas pagam a conta?

A soja da T4, a lavoura das quatro safras: 55 sacas por hectare, vendidas a R$ 132,50. Custo ÷ preço da saca:

COE · R$ 4.80036 sc
COT · R$ 5.52542 sc
CT · R$ 7.00053 sc
Sobram2 sc
36 pagam o COE +6 o COT +11 o CT 2 de sobra
Conceito · preço de nivelamento

Por quanto a saca precisa ser vendida?

Custo ÷ 55 sacas = o preço mínimo de cada saca.

paga o COER$ 87
paga o CTR$ 127
preço de mercadoR$ 132,50

Índice de eficiência econômica (IEE) = receita bruta ÷ custo total = 7.287 ÷ 7.000 = 1,04. Cada real de custo volta como R$ 1,04.

60 80 100 120 140 R$ 87 paga o COE R$ 127 paga o CT R$ 132,50 mercado R$ por saca
Conceito · réguas de qualidade

Com o que comparar

IndicadorReferênciaFonte
Lucratividadeacima de 15–20%projetos da mesma atividade
Rentabilidadeacima de zeroo CT já inclui arrendar e aplicar
IEEacima de 1,0equilíbrio econômico
Nivelamentosbem abaixo da médiaCONAB, EMATER/RS, CEPEA
Agricultura de precisão · a margem no mapa

A margem também é um mapa

A produtividade varia dentro da lavoura. Então a margem também varia.

  • A colhedora mede a produção a cada metro: é o mapa de colheita.
  • Com ele, cada zona da lavoura ganha a sua própria conta.
Mapa de produtividade de uma lavoura gerado pela colheitadeira, com zonas em verde, amarelo e vermelho conforme a produtividade
mapa de colheita, zonas de produtividade · CC BY-SA 3.0, ISUcyGrain/Wikimedia Commons
Exemplo RS · milho para silagem

20 hectares, três lavouras

Propriedade leiteira da região central. O milho vira silagem para as vacas.

  • Alta: 8 ha, 55 t/ha
  • Média: 8 ha, 42 t/ha
  • Baixa: 4 ha, 18 t/ha, solo raso e pedregoso

Silagem avaliada a R$ 500 por tonelada: o preço de comprá-la pronta.

55 t8 ha 42 t8 ha 18 t4 ha Talhão de 20 ha · t de massa verde por hectare
Exemplo RS · as três margens por zona

A média esconde os extremos

Custos por hectare, iguais nas três zonas · Epagri/Cepa, jul/2026 · a planilha não inclui pró-labore: COT = COE + depreciação COE 9.570 · COT 10.110 · CT 11.610 · RL = t × 500
ZonaRL/haMBMLLE
Alta · 55 t27.500+17.930+17.390+15.890
Média · 42 t21.000+11.430+10.890+9.390
Baixa · 18 t9.000−570−1.110−2.610
Média · 42,4 t21.200+11.630+11.090+9.590

A lavoura lucra bem. A zona baixa perde R$ 2.610/ha todo ano.

Exemplo RS · os nivelamentos

Quanto cada zona precisa colher

COE · 9.570 ÷ 50019,1 t
COT · 10.110 ÷ 50020,2 t
CT · 11.610 ÷ 50023,2 t

Alta e média passam as três linhas com folga. A baixa não paga nem o caixa.

55 42 18 Alta Média Baixa COE 19,1 COT 20,2 CT 23,2 t de massa verde por hectare
Exemplo RS · do campo ao cocho

Quanto custa a tonelada de silagem

Custo total ÷ produção.

Alta · 11.610 ÷ 55R$ 211
Média · 11.610 ÷ 42R$ 276
Baixa · 11.610 ÷ 18R$ 645

Na zona baixa, cada tonelada custa R$ 145 a mais do que comprar.

Zona alta Zona média Zona baixa R$ 211 R$ 276 R$ 645 comprar: R$ 500/t
Agricultura de precisão · manejo por zona

O que fazer com a zona baixa?

Depende da causa. Amostragem de solo e penetrômetro dizem qual é.

Causa corrigível · compactação, acidezCorrigir: calcário a taxa variável, descompactação só onde precisa. É investimento: a T6 diz se ele se paga.
Causa permanente · solo raso, encharcamentoAjustar: dose variável, só o insumo que o solo devolve. Ou mudar o uso da área.

Neste talhão, a zona baixa tem solo raso e pedregoso: o caminho é ajustar.

Dose fixa Dose variável cada ponto: semente e adubo · zonas alta, média e baixa
Exemplo RS · taxa variável

A conta da dose variável na zona baixa

Semente e adubo ajustados ao solo raso: o COE cai R$ 1.770, para R$ 7.800/ha. A produção segue em 18 t/ha.

Zona baixa, R$/haHojeDose variável
COE9.5707.800
MB−570+1.200
ML−1.110+660
LE−2.610−840

A dose variável salva o caixa e repõe a depreciação, mas não o lucro econômico. Pastagem ou arrendamento: a conta vai para a mesa.

Exemplo RS · o que fica

Três lições do caso

O papel do técnico Pôr as três margens na mesa para que a família decida com informação completa.
Mão no simulador · passo 6 · resultado

Tarefa de saída

O simulador já calculou MB, ML, LE e os indicadores. A tarefa é ler.

Interpretar é isto Não "a MB deu R$ 40 mil", mas "a MB cobre o ciclo; a ML negativa mostra que estamos consumindo patrimônio".
Mão no simulador · antes de sair da sala

Checklist de saída

Terminou antes? Baixe o preço do passo 1 em 10% e veja qual margem muda de sinal primeiro.

Ponte · o que vem

T6: equilíbrio, análise marginal e cenários

As margens são uma fotografia. E quando o quadro se move?

Para a T6: revisar a Parte III, bloco 1, e trazer as três margens do projeto anotadas.

T5 · Margens e indicadores

Fontes e créditos

Referência bibliográfica geral: KAY, Ronald D.; EDWARDS, William M.; DUFFY, Patricia A. Gestão de propriedades rurais. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. E-book. ISBN 9788580553963. Disponível em: Minha Biblioteca. Acesso em: 29 maio 2026. Custos do milho para silagem: Epagri/Cepa, julho de 2026 (COE de R$ 9.570,98/ha e depreciação de R$ 537,73/ha, arredondados; o COT segue a planilha da Epagri, COE mais depreciação). O custo de oportunidade de R$ 1.500/ha, o preço da silagem e as produtividades por zona são premissas didáticas.

Material didático elaborado pelo Prof. Róberson Macedo de Oliveira, Colégio Politécnico da UFSM, com apoio de inteligência artificial (Claude, Anthropic) na organização didática e diagramação. O conteúdo pedagógico, a metodologia e as decisões de planejamento são de responsabilidade do docente.

Material de estudo: Parte III.1: Receita, margens e indicadores · autoavaliação da Parte III · simulador de projetos · versão impressa deste material = apostila da aula (Ctrl+P).

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