Revisão geral · Técnico em Fruticultura
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Da porteira à planilha · o pomar inteiro

O vinhedo se paga?

Revisão do semestre com um único fio condutor: 2 ha de uva em espaldeira, do diagnóstico à decisão de investir.

Colégio Politécnico da UFSM
Prof. Róberson Macedo de OliveiraColégio Politécnico da UFSM
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Onde estamos · o semestre inteiro, de novo

Oito aulas, um pomar

Cada T revisitada aqui já foi dada com casos de várias atividades. Nesta revisão, todas passam pelo mesmo talhão de uva, para a Fruticultura ver o método inteiro aplicado à atividade que vai defender no projeto.

S3T1 SWOT
S4T2 receita
S5T3 custo
S6T4 COE-CT
S9T5 margens
S10T6 PE
S11T7 crédito
S12T8 invest.
Entender Medir Decidir
Onde estamos · o caso condutor

2 ha de uva, em espaldeira

O que esta revisão destrava O mesmo talhão atravessa SWOT, receita, custo, margens, ponto de equilíbrio, cenário, crédito e investimento, a costura completa que a defesa do projeto vai cobrar.
Revisão T1 · a propriedade como empresa

Antes do número, o diagnóstico

Planejar antes de calcular: na fruticultura isso pesa mais que em qualquer outra atividade: o erro de sistema (espaçamento, variedade, condução) se paga por 15 a 20 anos.

Interno

  • Forças: clima e solo aptos à viticultura, proximidade de cooperativa/vinícola
  • Fraquezas: sem capital de giro para 2 anos de formação sem receita

Externo

  • Oportunidades: linha de crédito com carência para perenes (Pronaf/Pronamp investimento)
  • Ameaças: granizo na Serra Gaúcha, oscilação do preço da uva industrial

A SWOT não é exercício de sala: a ameaça "granizo" volta como cenário pessimista mais adiante, e a fraqueza "sem capital de giro" volta como enquadramento de crédito.

Revisão T2 · receita bruta e líquida

24.000 kg têm um preço, e um desconto

Receita bruta · plena produção RB = produção × preço = 24.000 kg × R$ 4,00/kg = R$ 96.000

Preço de uva fina para vinificação/espumante em cooperativas da Serra Gaúcha, referência didática; pesquisar valor atual da safra com Ibravin/cooperativa antes de fechar o projeto.

Deduções · Funrural + comercialização RL = RB × (1 − 0,0363) = 96.000 × 0,9637 ≈ R$ 92.500
Revisão T3 · do manejo ao custo

Poda, tratos e colheita viram planilha

Regra de ouro: toda prática declarada precisa reaparecer como custo. No pomar em plena produção:

PráticaClassificação
Poda de inverno + conduçãovariável, direto
Defensivos (míldio, oídio)variável, direto
Colheita manualvariável, direto
Manutenção da espaldeira (postes, fios)fixo, indireto
Depreciação da implantaçãofixo, indireto

Contraexemplo bom para discutir: a manutenção do sistema de condução é fixa mesmo numa safra perdida por granizo, o custo não desaparece com a produção.

Revisão T4 · COE, COT e Custo Total

A implantação vira depreciação

COE (poda, defensivos, colheita, manutenção)40.000
+ depreciação (120.000 ÷ 15 anos)8.000
+ pró-labore (mão de obra familiar não paga)12.000
COT60.000
+ oportunidade do capital investido e da terra8.500
CT68.500

A implantação de R$ 120.000 não entra de uma vez no COE, ela é amortizada em 15 anos, exatamente como a depreciação do trator na T4.

Revisão T5 · margens e indicadores

As três margens, em plena produção

RL92.500
− COE (40.000)MB = 52.500
− COT (60.000)ML = 32.500
− CT (68.500)LE = 24.000

Diferente do caso do leite (T5/T8): aqui as três margens ficam positivas em plena produção, o alerta em perenes não é a margem do ano bom, é o cenário ruim (próximo slide) e o vale da formação (T8).

Revisão T6 · ponto de equilíbrio e cenário

Quanto o granizo pode tirar?

Ponto de equilíbrio

  • PE(COE) = 40.000 ÷ 3,85/kg ≈ 10.400 kg
  • PE(CT) = 68.500 ÷ 3,85/kg ≈ 17.800 kg
  • margem de segurança ≈ 26% sobre 24.000 kg

Cenário pessimista

  • granizo: −20% produtividade (19.200 kg)
  • preço em queda: −10% (R$ 3,60/kg)
  • LE vira −R$ 1.880: MB continua positiva

A margem de segurança de 26% parece confortável, até o ano do granizo, quando ela evapora de uma vez. É por isso que a T6 pede o cenário, não só o ponto de equilíbrio.

Revisão T7 · crédito rural e fluxo de caixa

Duas linhas, dois momentos

MomentoLinhaPor quê
Ano 0–2 · implantação e formaçãoInvestimento (Pronaf/Pronamp), com carênciasem receita para pagar parcela nesses anos
Ano 3+ · produçãoCusteio anual (Plano Safra)poda, defensivos e colheita da safra corrente

A carência da linha de investimento precisa cobrir os 2 anos de formação: pedir prazo curto demais é o erro de enquadramento mais comum em perenes.

Revisão T8 · payback, VPL e TIR

O vale da formação, ano a ano

ano 0 · implantação−120.000
anos 1–2 · formação−140.000 (acumulado)
ano 3 · primeira colheita parcial+15.000
anos 4+ · plena produção+45.000/ano
payback ≈ 6 anosVPL +42.600 · TIR 18,6%

O +45.000/ano usado no fluxo de caixa (T8) é um número agregado; o slide 8 desta revisão abriu ele em RL → COE → COT → CT → LE. São a mesma safra vista em duas resoluções diferentes.

Síntese · o pomar em um quadro

Todos os números, lado a lado

IndicadorValor
RB · RL (plena produção)96.000 · 92.500
COE · COT · CT40.000 · 60.000 · 68.500
MB · ML · LE52.500 · 32.500 · 24.000
PE(COE) · PE(CT)10.400 kg · 17.800 kg
Margem de segurança≈ 26%
LE no cenário pessimista−1.880
Payback · VPL · TIR6 anos · +42.600 · 18,6%

Nada aqui é conceito novo, é a mesma sequência de T1 a T8, sobre a mesma safra, do primeiro ao último número.

Síntese · erros que a banca vai cobrar

Onde a fruticultura mais tropeça

Mão no simulador · conferência final

Os sete passos, revisitados para perenes

Simulador de projetos · passos 0–6template: fruta (perene)
identificação + SWOT + enquadramento de crédito
produção, preço e RB → RL
manejo, classificação, COE → COT → CT
implantação e anos de formação (perene = obrigatório)
margens, PE, cenários, VPL/TIR/payback
dossiê: o documento da defesa

Para quem está em cultura perene, o passo 5 é o único que não aparece nos outros cursos: conferir que ele está fechado antes do laboratório de encerramento.

Mão no simulador · checklist antes da defesa

Checklist de saída

Ponte · o que vem

Da revisão à defesa

Revisão geral · Técnico em Fruticultura

Fontes e créditos

Referência bibliográfica geral: KAY, Ronald D.; EDWARDS, William M.; DUFFY, Patricia A. Gestão de propriedades rurais. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. E-book. ISBN 9788580553963. Disponível em: Minha Biblioteca. Acesso em: 29 maio 2026.

Material didático elaborado pelo Prof. Róberson Macedo de Oliveira, Colégio Politécnico da UFSM, com apoio de inteligência artificial (Claude, Anthropic) na organização didática e diagramação. O conteúdo pedagógico, a metodologia e as decisões de planejamento são de responsabilidade do docente.

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